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Certos nomes receberam lugar de destaque na história do início do adventismo na Europa: Michael Czechowski, ex-padre polonês e missionário aventureiro independente, primeiro a chegar em solo europeu com a mensagem adventista; J. N. Andrews, que continuou o trabalho de Czechowski e foi fundamental no estabelecimento da obra impressa na Europa. E, claro, a história não poderia ignorar Ludwig R. Conradi, o grande evangelista e estrategista de missão que, começando em 1886, previu o crescimento fenomenal e o estabelecimento da fé adventista na Europa.

Pioneiro da Segunda Geração: Há outro nome, frequentemente esquecido, Jakob Erzberger, que, em 1870, se tornou o primeiro pastor adventista do sétimo dia europeu a ser ordenado.* Na realidade, ele era um tipo de pastor itinerante para toda a Suíça e Alemanha. Homem humilde, Erzberger se alegrava em permanecer à sombra de Czechowski, Andrew e Conradi, que ficaram conhecidos como os fundadores do Adventismo na Europa. De certo modo, Erzberger foi o “primeiro fruto” do trabalho missionário de Czechowski naquele continente. De modo geral, ele dava continuidade aos esforços evangelísticos de outros pioneiros como fervoroso pastor para as igrejas recém- estabelecidas e era quem prestava cuidado pastoral e fortalecia os recém-conversos na fé, depois que os pioneiros partiam para novos desafios.

Um bom exemplo do trabalho de Erzberger foi a área de Vohwinkel/Wuppertal, onde era imprescindível estabelecer a primeira igreja adventista em solo alemão, nos anos 1875/1876. J. N. Andrews, que, na época, liderava o trabalho da missão na Europa, não era fluente no alemão. Assim, ficou apenas algumas semanas na região de Vohwinkel/Wuppertal, antes de voltar para a Suíça. Erzberger ficou em seu lugar e alimentou espiritualmente o pequeno grupo de fiéis com as verdades adventistas. Seu trabalho levou oito pessoas ao batismo em um lago perto de Vohwinkel, em janeiro de 1876, sendo essa a primeira igreja oficial da Alemanha. Erzberger, entretanto, não pregava e batizava apenas. Ele também produziu o primeiro panfleto adventista em alemão que a jovem igreja distribuía.

Chamado para a Educação: Jakob Erzberger nasceu em 1843, em Seltisberg, perto de Liestal, na Suíça. Devido à da morte precoce de seu pai, Jakob cresceu na pobreza. Sua mãe fez o que pôde para criar seus quatro filhos pequenos, trabalhando como tecelã. Por causa da influência piedosa da mãe, Jakob decidiu muito cedo trabalhar para Deus. Em 1864, ele se matriculou num seminário, perto de Basel. Seria um período de crescimento espiritual e maturidade para aquele jovem, apesar das dúvidas e lutas particulares. 
Quando chegou ao seminário, um dos alunos observou que o diabo não se atrevia a entrar no portão da escola. O jovem Erzberger respondeu que o inimigo tinha dado um jeito e entrado no terreno sagrado, pois ele o confrontava continuamente “dentro de seu coração”. Após completar o primeiro ano, foi requerido dos alunos um componente prático dos estudos. Com o objetivo de desenvolver-lhes o caráter, eles eram enviados como pregadores missionários. Erzberger serviu parte desse tempo como capelão de uma prisão em Pruntrut. 
 
Sua vida tomou rumo inesperado em 1867, quando Erzberger se encontrou com um grupo de adventistas em Tramelan. Esse grupo tinha sido fundado por Czechowski no mesmo ano. Erzberger estava pregando em vários lugares para o seminário e, perto da pequena cidade de Tramelan, ele rasgou sua calça. Ali encontrou um alfaiate que não apenas costurou sua calça, mas lhe deu um estudo bíblico sobre o fim do mundo, o breve retorno de Jesus e a validade do mandamento do sábado. Erzberger, como estudante do seminário e “teólogo”, ficou profundamente impressionado com o conhecimento bíblico daquele simples alfaiate. Quando retornou ao seminário e expôs suas novas ideias sobre a Bíblia, foi forçado a retirar-se. “Todos meus amigos me deram as costas”, ele escreveu mais tarde; “para eles, eu não era nada mais que um herege.”

Somos os Únicos? Em 1868, decidido a pastorear o pequeno grupo de Tramelan, tão importante para seu crescimento espiritual, Erzberger enfrentou um grande desafio. O grupo tinha a convicção de que eram os únicos, no mundo inteiro, a crer naquelas verdades. Alguns meses mais tarde, quando os membros descobriam que a Igreja Adventista do Sétimo Dia já fora estabelecida na América do Norte (a qual Czechowski nunca havia mencionado), enviaram Erzberger a Battle Creek, Michigan (EUA), para fazer contato com a igreja. 
 
Assim, Erzberger, que não falava uma palavra em inglês, viajou para uma terra desconhecida sem nenhum contato ou amigo. Felizmente, foi calorosamente recebido no lar de Tiago e Ellen White. O jovem John H. Kellog o assessorava no inglês, enquanto Tiago White lhe dava estudos bíblicos. Enquanto esteve no lar dos White, Erzberger descobriu um texto bíblico que não conseguia entender e que o deixou perturbado. Ele não contou o problema a ninguém. Certa noite, ao redor da lareira, Ellen White de repente perguntou-lhe se havia compreendido claramente aquela questão específica. Erzberger ficou impressionado e só podia atribuir o fato ao dom profético de Ellen.

Após estudos mais profundos, Erzberger foi ordenado em 1870 por Tiago White e J. N. Andrews, numa reunião campal em South Lancaster, Massachusetts (EUA), e ao mesmo tempo comissionado para o trabalho missionário na Europa. Quando Andrews assumiu o trabalho na Suíça, em 1874, ele já tinha um colega de trabalho e guia de confiança no local.

Apaziguador e Companheiro: O trabalho de Erzberger nem sempre foi fácil. Ele até desistiu de seu trabalho missionário por um período, porque ficou desanimado com os membros da igreja. Esses membros, como se pode deduzir por uma carta escrita por Ellen White em 1878, o acusaram de ter ficado “orgulhoso” com seu novo “conhecimento americano”, sobre o qual estava pregando. De algum modo, ele encontrou coragem de assumir o trabalho outra vez e continuou sendo uma força para a missão, especialmente após a morte precoce de J. N. Andrews, em 1883.  

Quando Ludwig Conradi foi enviado de volta para a Europa em 1886, Erzberger, mais uma vez, foi o fiel guia e ajudante. Inspirado pela tendência evangelística de Conradi, ele iniciou um seminário sobre profecia de muito sucesso em várias cidades grandes da Suíça (Lausanne, Basel, Zurique, Berna), que resultou no estabelecimento de igrejas nesses lugares. O pregador metodista (mais tarde pioneiro adventista) E. E. Frauchiger ouviu Erzberger pela primeira vez, em Lausanne, e exclamou: “Uma tempestade vai atingir a cidade.”

Os assuntos apresentados e o modo em que eram apresentados prendiam a atenção das massas. Erzberger todos os dias apresentava um assunto em alemão ou francês. Sua convivência com Conradi fortaleceu e desenvolveu suas habilidades evangelísticas. Muito breve, porém, Conradi mudou-se para a Alemanha e, concentrando seus esforços naquele país, Erzberger foi deixado como o único pregador para cuidar, por muitos anos, de todas as igrejas de fala alemã na Suíça. Em 1903, Marie, sua esposa, morreu aos 53 anos. Erzberger se casara em 1882 e tinha dois filhos: Heinrich (nascido em 1884) e Jakob (nascido em 1886).

Últimos Anos: De 1904 em diante, Erzberger trabalhou, essencialmente, como evangelista ambulante, viajando por toda a Alemanha. Em apenas um mês (abril de 1906), ele pregou 49 vezes e dirigiu 28 estudos bíblicos. Cheio do fervor evangelístico, ele escreveu de Munique para seu filho Heinrich, em 1910: “O tempo está voando, Jesus está voltando em breve e há tantas pessoas despreparadas.”

Abatido pela doença e pela vida sacrificada de missionário pioneiro, Erzberger viveu seus últimos anos em Sissach, Suíça, e morreu em 1920. Ludwing R. Conradi escreveu em um tributo pelo trabalho árduo do colega e amigo: “Sem buscar glória própria, dedicou-se extremamente na busca de pessoas no típico ‘estilo suíço’, direto ao ponto. Mesmo como obreiro idoso, estava sempre disposto a trabalhar com homens mais jovens. Nunca buscava os próprios interesses e não buscava posições elevadas… Para ele, o trabalho mais sagrado e importante era levar as pessoas a Jesus.”

*Em algumas fontes em inglês e francês, seu nome tanto é escrito “Erzenberger” ou “Ertzenberger”. Isso pode ser observado especialmente nas cartas e documentos de Ellen White. A pronúncia de seu nome era obviamente difícil para quem falava inglês ou francês. O próprio Jakob Erzberter usou frequentemente a “modificação” de seu sobrenome, após a visita à América do Norte, em 1870, destacando humildade e flexibilidade como missionário.

Daniel Heinz é diretor dos Arquivos Históricos Europeus da Igreja Adventista do Sétimo Dia, localizado no  Theologische Hochschule Friedensau, Alemanha. Esse artigo foi publicado em versão mais longa na Advent-Echo, em outubro de 2009.

Fonte: Adventist World

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